Um dos motivos seria a retomada da geração de empregos
Para dar cursos e consultoria em educação infantil, Alessandra se tornou MEI, antes da pandemia. Mas, com as dificuldades em conciliar o trabalho com as tarefas de casa, ela decidiu procurar um emprego com carteira assinada, e fechou a empresa.
"Eu decidi encerrar a MEI por questões pessoais, porque eu não pude, na pandemia, dar esse olhar que era merecido, porque eu tive que focar na casa", explica a gestora de projetos Alessandra Bizzetto.
Agora, Alessandra faz parte da estatística do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica, que mostra que 1,5 milhão de Microempreendedores Individuais encerraram as atividades entre janeiro e novembro do ano passado - 200 mil a mais do que no mesmo período de 2021.
A economista do Insper, Juliana Inhasz, afirma que o aumento do emprego formal é um dos motivos do fechamento das microempresas: "A falta de técnica, de conhecimento técnico, a falta de investimento de capital de giro, de acesso a crédito, também faz com que muitas pessoas acabem voltando para o mercado de trabalho mais tradicional".
No entanto, ao conquistar uma vaga com carteira assinada, muitos microempreendedores, por descuido ou mesmo por falta de informação, mantém ativo o CNPJ. E, com o tempo, isso pode se tornar um problema, principalmente, para o bolso.
Isso porque, ao não encerrar o MEI, os encargos mensais de previdência e impostos continuam e, se não forem pagos, ao longo do tempo, os responsáveis se tornam devedores.
"Se ele não encerrar a MEI, ele passa a ter uma série de cobranças junto ao fisco. Hoje, com base no salário mínimo, [o valor do MEI] varia de R$ 71 a R$ 76. Além de encargos, juros e multas", esclarece o contador Wesley Santiago.

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