Mercado de vendas no varejo ainda calcula perdas causadas pela crise na empresa
Um pente-fino nas contas da Americanas apontou R$ 6,6 bilhões a mais em débitos da companhia com credores. Agora, o valor total já chega a R$ 47,9 bilhões.
O motivo é uma dívida de títulos e crédito emitidos com empresas do mesmo grupo, que também estão sob recuperação judicial. A Americanas afirma que o valor deve ser desconsiderado por ser empréstimo interno.
A informação sobre a diferença de valores foi enviada para a Vara Empresarial do Rio de Janeiro, que acompanha o processo de reestruturação.
A crise, uma das mais graves da história do setor, é considerada atípica e impacta na captação de recursos, no longo prazo, de todo comércio varejista. Segundo especialistas, a partir de agora, outras companhias da mesma área, inclusive as maiores, terão que comprovar saúde financeira sólida, em um ambiente em que os bancos estão mais exigente
"O varejo é a epiderme da economia. É o primeiro que sente frio, e o primeiro que sente calor. E agora, o varejo voltou a sentir frio. Quando o varejo sente frio, ele diminui compras. Essa diminuição de compras afeta a indústria e afeta toda a cadeia de valor da economia. A Americanas afetou a credibilidade do varejo como um todo, principalmente, dos grandes varejistas", explica o economista especializado em varejo, Roberto Kanter.
Nos últimos dias, investidores têm especulado por causa do vaivém das ações da Americanas. Foi no ambiente de queda das ações, de R$ 12 para R$ 0,71, que o banco norte-americano Morgan Stanley aumentou a participação na companhia, e agora detém 5,2% do capital total. A atitude coincidiu com a alta dos papéis.
Outras empresas do ramo tiveram perdas discretas (Magazine Luíza, MGLU3 -3,16%, e Via, VIIA3 -2,08%) ou se mantiveram praticamente estáveis (Lojas Renner, LREN3 0,14%).
"Tudo é muito recente, então, nessa etapa, é natural que o preço das ações suba ou caia muito, em cima dessas especulações. Em um primeiro momento, o escândalo gerou um receio de fato no mercado, em relação aos seus pares, aos concorrentes, de que essa prática pudesse ser algo generalizado. Mas, a partir do momento em que as semanas foram passando, e as auditorias foram acontecendo nessas outras empresas, o mercado foi ficando um pouco mais calmo", observa o analista de mercado Charo Alves.
Para os especialistas, a recuperação judicial da Americanas e a possível diminuição do volume de operações e vendas acaba virando uma oportunidade para que outras companhias do ramo varejista ocupem espaços que podem ficar vagos no setor. Um deles é a venda de chocolates na Páscoa, por exemplo.
"É muito provável que as grandes empresas de indústria de chocolate queiram escolher e escolham novos canais que elas, historicamente, nunca trabalharam. Como, por exemplo, loja de eletrônicos, loja de roupas, as grandes redes de departamento. É muito provável que você entre nessas lojas e encontre elas abauladas no teto de ovos de chocolate", conclui o analista de mercado.

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